O que a norma cobre
A NBR 6484 trata da sondagem de simples reconhecimento com SPT. Ela diz qual equipamento usar, como abrir e avançar o furo, como cravar o amostrador e contar os golpes, quando parar e como apresentar o resultado. A ideia de fundo é que dois furos feitos por equipes diferentes possam ser comparados, porque o martelo, a altura de queda e o amostrador são sempre os mesmos.
O ensaio, metro a metro
- Abertura. Os metros iniciais saem a trado enquanto o solo está acima da água e o trado avança. Anote até onde foi a trado.
- Cravação. Em cada metro, o amostrador padrão é cravado 45 cm em três trechos de 15 cm, contando os golpes de cada trecho.
- N-SPT. O N do metro é a soma dos golpes do segundo e do terceiro trecho. O primeiro fica de fora porque o fundo do furo pode estar remexido.
- Amostra. O solo que vem no amostrador é descrito no campo (tipo, cor, frações) e guardado identificado com furo e profundidade.
- Avanço. Entre um ensaio e outro, o furo avança com trépano e circulação de água, ou a trado quando possível. Revestimento entra quando a parede desmorona.
- Água. Registre a profundidade em que a água apareceu e, depois do furo encerrado, a leitura estabilizada, com data e hora.
- Parada. O furo para pelo critério pedido no projeto ou pelos critérios de resistência e de impenetrável da norma. O boletim diz qual critério encerrou o furo.
O que precisa estar no boletim
- Identificação da obra, do furo, da equipe e das datas de início e fim.
- Cota de boca e referência de nível usada.
- Golpes dos três trechos por metro, com penetração parcial anotada como fração (exemplo: 30/12).
- Profundidade de cada mudança de camada e a descrição de cada uma.
- Até onde foi a trado, a trépano e com revestimento.
- Nível d'água inicial e final, ou "furo seco" escrito por extenso.
- Profundidade final e o motivo da parada.
- Observações de campo: deslocamento de furo, obstáculo, perda de água, artesianismo.
Erros que mais aparecem na revisão
- Soma errada do N. Somar os três trechos em vez dos dois últimos.
- Penetração parcial sem centímetros. "30" sozinho não diz se o amostrador andou 15 cm ou 3 cm.
- Água sem momento. Nível d'água sem dizer se é inicial ou final perde valor para o projeto.
- Furo seco em branco. Campo vazio parece esquecimento.
- Camada sem limite. Descrição sem profundidade de início e fim.
- Impenetrável tratado como rocha. Parar o SPT não prova rocha sã; só a rotativa confirma.
- Deslocamento sem registro. Furo refeito ao lado sem dizer a distância e o motivo.
Como fica no relatório
Cada furo vira um perfil individual: camadas desenhadas na profundidade, gráfico do N-SPT, nível d'água, cota de boca e dados da obra. O relatório junta os perfis, a locação, o método, as observações e a assinatura do responsável técnico com a ART.
No Sondar+
O boletim SPT é preenchido no app de campo ou no computador, com os três trechos por metro. Para finalizar o furo, o Sondar+ pede o motivo da parada numa lista com os critérios de recusa e de impenetrável. O perfil individual sai na folha em mm, em Barlow, e o cliente pode acompanhar a obra enquanto o furo anda.
Perguntas frequentes
Posso parar o furo antes do critério da norma? Pode, se o projeto pedir uma profundidade e isso estiver escrito no boletim. O relatório deve dizer o motivo.
O N-SPT serve para calcular a fundação direto? Ele é o dado de entrada de métodos de cálculo usados pelo projetista. A sondagem informa; quem dimensiona é o projeto de fundações.
Preciso guardar as amostras? Sim. A amostra permite conferir a descrição depois e fazer ensaios de laboratório.
