Sondarmais, software de sondagem geotécnica

Guias técnicos · NBR 6484

Guia da NBR 6484: sondagem SPT do campo ao relatório

Como executar a sondagem SPT metro a metro, o que precisa estar no boletim e os erros que mais aparecem na revisão.

Para quem: sondador, encarregado de campo, engenheiro que revisa boletimAtualizado em 29 de outubro de 2026

O que a norma cobre

A NBR 6484 trata da sondagem de simples reconhecimento com SPT. Ela diz qual equipamento usar, como abrir e avançar o furo, como cravar o amostrador e contar os golpes, quando parar e como apresentar o resultado. A ideia de fundo é que dois furos feitos por equipes diferentes possam ser comparados, porque o martelo, a altura de queda e o amostrador são sempre os mesmos.

O ensaio, metro a metro

  1. Abertura. Os metros iniciais saem a trado enquanto o solo está acima da água e o trado avança. Anote até onde foi a trado.
  2. Cravação. Em cada metro, o amostrador padrão é cravado 45 cm em três trechos de 15 cm, contando os golpes de cada trecho.
  3. N-SPT. O N do metro é a soma dos golpes do segundo e do terceiro trecho. O primeiro fica de fora porque o fundo do furo pode estar remexido.
  4. Amostra. O solo que vem no amostrador é descrito no campo (tipo, cor, frações) e guardado identificado com furo e profundidade.
  5. Avanço. Entre um ensaio e outro, o furo avança com trépano e circulação de água, ou a trado quando possível. Revestimento entra quando a parede desmorona.
  6. Água. Registre a profundidade em que a água apareceu e, depois do furo encerrado, a leitura estabilizada, com data e hora.
  7. Parada. O furo para pelo critério pedido no projeto ou pelos critérios de resistência e de impenetrável da norma. O boletim diz qual critério encerrou o furo.

O que precisa estar no boletim

  • Identificação da obra, do furo, da equipe e das datas de início e fim.
  • Cota de boca e referência de nível usada.
  • Golpes dos três trechos por metro, com penetração parcial anotada como fração (exemplo: 30/12).
  • Profundidade de cada mudança de camada e a descrição de cada uma.
  • Até onde foi a trado, a trépano e com revestimento.
  • Nível d'água inicial e final, ou "furo seco" escrito por extenso.
  • Profundidade final e o motivo da parada.
  • Observações de campo: deslocamento de furo, obstáculo, perda de água, artesianismo.

Erros que mais aparecem na revisão

  • Soma errada do N. Somar os três trechos em vez dos dois últimos.
  • Penetração parcial sem centímetros. "30" sozinho não diz se o amostrador andou 15 cm ou 3 cm.
  • Água sem momento. Nível d'água sem dizer se é inicial ou final perde valor para o projeto.
  • Furo seco em branco. Campo vazio parece esquecimento.
  • Camada sem limite. Descrição sem profundidade de início e fim.
  • Impenetrável tratado como rocha. Parar o SPT não prova rocha sã; só a rotativa confirma.
  • Deslocamento sem registro. Furo refeito ao lado sem dizer a distância e o motivo.

Como fica no relatório

Cada furo vira um perfil individual: camadas desenhadas na profundidade, gráfico do N-SPT, nível d'água, cota de boca e dados da obra. O relatório junta os perfis, a locação, o método, as observações e a assinatura do responsável técnico com a ART.

No Sondar+

O boletim SPT é preenchido no app de campo ou no computador, com os três trechos por metro. Para finalizar o furo, o Sondar+ pede o motivo da parada numa lista com os critérios de recusa e de impenetrável. O perfil individual sai na folha em mm, em Barlow, e o cliente pode acompanhar a obra enquanto o furo anda.

Perguntas frequentes

Posso parar o furo antes do critério da norma? Pode, se o projeto pedir uma profundidade e isso estiver escrito no boletim. O relatório deve dizer o motivo.

O N-SPT serve para calcular a fundação direto? Ele é o dado de entrada de métodos de cálculo usados pelo projetista. A sondagem informa; quem dimensiona é o projeto de fundações.

Preciso guardar as amostras? Sim. A amostra permite conferir a descrição depois e fazer ensaios de laboratório.