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7 Erros Comuns em Boletins SPT que Reprovam na Fiscalização

03 de abril de 2026·8 min de leitura

Por que boletins são reprovados

Fiscais de obras públicas, engenheiros de CAIXA, DNIT e prefeituras, e auditores de CEF têm uma lista mental de itens que verificam ao receber um boletim de sondagem. Muitos laudos chegam a obras com décadas de atraso em relação às exigências normativas vigentes. O resultado: atrasos no início da obra, custo de resondagem, e em casos mais graves, uso de fundações dimensionadas com dados incorretos.

A seguir, os sete erros mais frequentes encontrados em boletins de sondagem SPT na prática cotidiana das obras brasileiras — todos em desacordo com a NBR 6484:2020.

Erro 1: Entregar o Boletim Tipo B como documento final

Este é, de longe, o erro mais comum e o mais fácil de corrigir. O Boletim Tipo B é a ficha de campo preenchida durante a execução — ele contém o N-SPT bruto por metro e algumas observações, mas não tem os campos detalhados obrigatórios do Boletim Tipo A.

A NBR 6484:2020 é explícita: o documento de entrega ao contratante é o Boletim Tipo A. Entregar o Tipo B como produto final é não conformidade direta. Fiscais que conhecem a norma rejeitam imediatamente, solicitando reemissão — o que atrasa licenciamentos, aprovações bancárias e laudos de avaliação.

Como evitar: nunca entregue ao cliente um boletim que não contenha todos os campos do §7 da NBR 6484:2020. Use um template validado ou uma plataforma especializada como o Sondar+, que gera apenas documentos Tipo A completos.

Erro 2: Classificação de compacidade/consistência pela tabela errada (versão 2001)

Os limites entre os estados de compacidade e consistência foram revisados na NBR 6484:2020. Escritórios que não atualizaram seus templates ainda usam a tabela de 2001, gerando classificações divergentes.

Exemplo prático: uma areia com N-SPT = 9 é classificada como "Pouco Compacta" pela tabela de 2001 (limite 5–10) mas como "Medianamente Compacta" pela tabela de 2020 (limite 9–18). A diferença impacta diretamente a estimativa de tensão admissível e o texto do laudo de fundações.

Como evitar: substitua explicitamente a tabela de 2001 por:

  • Compacidade — Fofa: N ≤ 4; Pouco Compacta: 5–8; Medianamente Compacta: 9–18; Compacta: 19–40; Muito Compacta: >40
  • Consistência — Muito Mole: N ≤ 1; Mole: 2–4; Média: 5–8; Rija: 9–15; Muito Rija: 16–30; Dura: >30

Erro 3: Ausência ou incorreção no motivo de encerramento do furo

O §6.5 da NBR 6484:2020 exige que o boletim informe explicitamente o motivo de encerramento do furo. Os motivos admissíveis são: impenetrabilidade (com registro de golpes e penetração da recusa), presença de matacão confirmada, profundidade especificada atingida com critério de parada satisfeito, ou problema operacional justificado.

Erros frequentes observados:

  • "Encerrado a 12,00 m" — sem motivo algum.
  • "Nega a 10 m" — sem especificar quantos golpes em quantos centímetros.
  • "Impenetrabilidade ao amostrador" — sem indicar se é nega efetiva (N > 50/30 cm) ou recusa parcial.
  • "Término por impossibilidade de avanço" — redação genérica que não informa o tipo de obstáculo.

Registro correto: "Nega: 50 golpes para 18 cm de penetração na profundidade de 10,00 m, referente ao horizonte de solo saprolítico denso." Ou: "Profundidade especificada atingida: 3 m consecutivos com N ≥ 15 completados aos 14,00 m."

Erro 4: Nível d'água ausente ou registrado apenas como "não encontrado" sem data e hora

O nível d'água é campo obrigatório no boletim Tipo A (§6.4 da NBR 6484:2020). Sua ausência impede o cálculo de tensões efetivas, o dimensionamento de obras de contenção e a análise de liquefação. Mesmo quando o NA não é encontrado dentro da profundidade sondada, isso deve ser explicitamente declarado com a profundidade máxima investigada e a data/hora da verificação.

O NA deve ser registrado em dois momentos: durante a perfuração (nível provisório, enquanto a lama de perfuração pode estar alterando a leitura) e após estabilização com o furo em repouso por pelo menos 12 horas (nível estabilizado). Em furos rápidos sem medição pós-repouso, o NA registrado é incompleto e pode ser contestado.

Registro correto: "NA observado durante a sondagem: 3,40 m (em 22/03/2026 às 10h30). NA estabilizado após 24 h de repouso: 2,80 m (em 23/03/2026 às 10h45)."

Erro 5: Hachuras não padronizadas ou ausentes

O boletim de sondagem Tipo A deve apresentar o perfil geotécnico com hachuras conforme a NBR 13441. O uso de hachuras inventadas, de padrões de outro país ou simplesmente a omissão de hachuras (substituídas por textos coloridos ou linhas informais) é não conformidade com a NBR 6484:2020 §7.3.

Os erros mais comuns nesse item:

  • Usar pontilhado genérico para qualquer solo sem distinção de tipo.
  • Usar hachuras de norma norte-americana (ASTM) incompatíveis com a NBR 13441.
  • Criar hachuras personalizadas "para melhor visualização" sem referência à norma.
  • Apresentar perfil apenas textual (lista de camadas) sem representação gráfica.

O Sondar+ possui a biblioteca completa de hachuras NBR 13441 integrada ao gerador de boletins, aplicando automaticamente o padrão correto para cada tipo de material descrito na estratigrafia.

Erro 6: Ausência de ART ou responsável técnico sem habilitação específica

O boletim de sondagem SPT é um documento técnico que deve ser assinado por engenheiro civil ou geólogo com ART emitida no CREA da região. A ausência da identificação do responsável técnico, do número de CREA e da ART — ou pior, a assinatura por técnico de nível médio ou tecnólogo sem habilitação legal — invalida o documento para qualquer fim em obra formal.

Em contratos com órgãos públicos, a verificação da ART é etapa de checklist obrigatória antes do ateste da nota fiscal. Sem ART, não há pagamento. Em processos de financiamento CAIXA/FGTS, laudos sem ART são recusados na análise documental.

Verificação necessária: o número da ART deve corresponder ao serviço descrito, à obra e ao período de execução. Uma ART genérica de "serviços de engenharia" sem especificação de sondagem pode ser contestada.

Erro 7: N-SPT registrado como soma das três cravações (incluindo assentamento)

Um erro de leitura de campo — mas com consequências sérias no laudo. O N-SPT é a soma dos golpes das segunda e terceira cravações de 15 cm cada. O valor da primeira cravação (assentamento, primeiros 15 cm) é registrado à parte mas não entra na soma do N-SPT. Sondadores menos experientes por vezes somam as três cravações, produzindo N-SPT sistematicamente 30–50% maior que o correto.

Esse erro é detectável ao auditar o boletim: os golpes individuais das três cravações devem ser listados, e o N-SPT deve ser igual à soma da 2ª e 3ª cravações. Se os golpes individuais não estão listados, o boletim está incompleto mesmo para o Tipo B — e qualquer auditoria de qualidade pedirá esses dados.

Registro correto por metro: "1ª cravação (assentamento): 5 golpes / 15 cm | 2ª cravação: 8 golpes / 15 cm | 3ª cravação: 10 golpes / 15 cm → N-SPT = 18"

Como prevenir sistematicamente esses erros

A raiz de todos esses erros é a falta de um processo padronizado de produção e revisão de boletins. Algumas medidas práticas:

  1. Adote um checklist de conformidade NBR 6484:2020 a ser preenchido antes de emitir cada boletim.
  2. Use software especializado que gere o Tipo A diretamente a partir dos dados de campo, sem retrabalho manual. O Sondar+ foi desenvolvido com esse objetivo: os dados entram uma única vez e o boletim conforme sai automaticamente.
  3. Treine sondadores no registro correto das três cravações individuais e no preenchimento do motivo de encerramento.
  4. Emita a ART antes de iniciar cada serviço — não após a entrega do boletim.
  5. Revise todos os boletins com a Tabela 2 e 3 da NBR 6484:2020 em mãos antes da entrega.

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