Fiscais de obras públicas, engenheiros de CAIXA, DNIT e prefeituras, e auditores de CEF têm uma lista mental de itens que verificam ao receber um boletim de sondagem. Muitos laudos chegam a obras com décadas de atraso em relação às exigências normativas vigentes. O resultado: atrasos no início da obra, custo de resondagem, e em casos mais graves, uso de fundações dimensionadas com dados incorretos.
A seguir, os sete erros mais frequentes encontrados em boletins de sondagem SPT na prática cotidiana das obras brasileiras — todos em desacordo com a NBR 6484:2020.
Este é, de longe, o erro mais comum e o mais fácil de corrigir. O Boletim Tipo B é a ficha de campo preenchida durante a execução — ele contém o N-SPT bruto por metro e algumas observações, mas não tem os campos detalhados obrigatórios do Boletim Tipo A.
A NBR 6484:2020 é explícita: o documento de entrega ao contratante é o Boletim Tipo A. Entregar o Tipo B como produto final é não conformidade direta. Fiscais que conhecem a norma rejeitam imediatamente, solicitando reemissão — o que atrasa licenciamentos, aprovações bancárias e laudos de avaliação.
Como evitar: nunca entregue ao cliente um boletim que não contenha todos os campos do §7 da NBR 6484:2020. Use um template validado ou uma plataforma especializada como o Sondar+, que gera apenas documentos Tipo A completos.
Os limites entre os estados de compacidade e consistência foram revisados na NBR 6484:2020. Escritórios que não atualizaram seus templates ainda usam a tabela de 2001, gerando classificações divergentes.
Exemplo prático: uma areia com N-SPT = 9 é classificada como "Pouco Compacta" pela tabela de 2001 (limite 5–10) mas como "Medianamente Compacta" pela tabela de 2020 (limite 9–18). A diferença impacta diretamente a estimativa de tensão admissível e o texto do laudo de fundações.
Como evitar: substitua explicitamente a tabela de 2001 por:
O §6.5 da NBR 6484:2020 exige que o boletim informe explicitamente o motivo de encerramento do furo. Os motivos admissíveis são: impenetrabilidade (com registro de golpes e penetração da recusa), presença de matacão confirmada, profundidade especificada atingida com critério de parada satisfeito, ou problema operacional justificado.
Erros frequentes observados:
Registro correto: "Nega: 50 golpes para 18 cm de penetração na profundidade de 10,00 m, referente ao horizonte de solo saprolítico denso." Ou: "Profundidade especificada atingida: 3 m consecutivos com N ≥ 15 completados aos 14,00 m."
O nível d'água é campo obrigatório no boletim Tipo A (§6.4 da NBR 6484:2020). Sua ausência impede o cálculo de tensões efetivas, o dimensionamento de obras de contenção e a análise de liquefação. Mesmo quando o NA não é encontrado dentro da profundidade sondada, isso deve ser explicitamente declarado com a profundidade máxima investigada e a data/hora da verificação.
O NA deve ser registrado em dois momentos: durante a perfuração (nível provisório, enquanto a lama de perfuração pode estar alterando a leitura) e após estabilização com o furo em repouso por pelo menos 12 horas (nível estabilizado). Em furos rápidos sem medição pós-repouso, o NA registrado é incompleto e pode ser contestado.
Registro correto: "NA observado durante a sondagem: 3,40 m (em 22/03/2026 às 10h30). NA estabilizado após 24 h de repouso: 2,80 m (em 23/03/2026 às 10h45)."
O boletim de sondagem Tipo A deve apresentar o perfil geotécnico com hachuras conforme a NBR 13441. O uso de hachuras inventadas, de padrões de outro país ou simplesmente a omissão de hachuras (substituídas por textos coloridos ou linhas informais) é não conformidade com a NBR 6484:2020 §7.3.
Os erros mais comuns nesse item:
O Sondar+ possui a biblioteca completa de hachuras NBR 13441 integrada ao gerador de boletins, aplicando automaticamente o padrão correto para cada tipo de material descrito na estratigrafia.
O boletim de sondagem SPT é um documento técnico que deve ser assinado por engenheiro civil ou geólogo com ART emitida no CREA da região. A ausência da identificação do responsável técnico, do número de CREA e da ART — ou pior, a assinatura por técnico de nível médio ou tecnólogo sem habilitação legal — invalida o documento para qualquer fim em obra formal.
Em contratos com órgãos públicos, a verificação da ART é etapa de checklist obrigatória antes do ateste da nota fiscal. Sem ART, não há pagamento. Em processos de financiamento CAIXA/FGTS, laudos sem ART são recusados na análise documental.
Verificação necessária: o número da ART deve corresponder ao serviço descrito, à obra e ao período de execução. Uma ART genérica de "serviços de engenharia" sem especificação de sondagem pode ser contestada.
Um erro de leitura de campo — mas com consequências sérias no laudo. O N-SPT é a soma dos golpes das segunda e terceira cravações de 15 cm cada. O valor da primeira cravação (assentamento, primeiros 15 cm) é registrado à parte mas não entra na soma do N-SPT. Sondadores menos experientes por vezes somam as três cravações, produzindo N-SPT sistematicamente 30–50% maior que o correto.
Esse erro é detectável ao auditar o boletim: os golpes individuais das três cravações devem ser listados, e o N-SPT deve ser igual à soma da 2ª e 3ª cravações. Se os golpes individuais não estão listados, o boletim está incompleto mesmo para o Tipo B — e qualquer auditoria de qualidade pedirá esses dados.
Registro correto por metro: "1ª cravação (assentamento): 5 golpes / 15 cm | 2ª cravação: 8 golpes / 15 cm | 3ª cravação: 10 golpes / 15 cm → N-SPT = 18"
A raiz de todos esses erros é a falta de um processo padronizado de produção e revisão de boletins. Algumas medidas práticas:
Coloque em prática com o Sondar+
Software de sondagem SPT, SPT-T e Trado conforme NBR 6484:2020. 1 boletim completo grátis, sem cartão.
N-SPT vs N60: Qual usar no projeto de fundação?
13 de abril de 2026 · 11 min
Calculadora Aoki-Velloso: Como calcular capacidade de carga de estacas
13 de abril de 2026 · 12 min
SPT-T (Torque): O que é e como interpretar o resultado
13 de abril de 2026 · 9 min
Programação de Sondagens pela NBR 8036 — Cálculo de Furos e Profundidades
08 de abril de 2026 · 11 min